PULVERIZAÇÃO AÉREA E PERIGO DOS AGROTÓXICOS PARA OS SERES VIVOS E MEIO AMBIENTE
Por Diógenes Pierre Gonzales

A vice-coordenadora do Grupo Temático “Saúde e Ambiente” da (Abrasco), Karen Friedrich, faz uma correção significativa sobre o consumo de venenos que uma pessoa faz durante um ano: já ultrapassa os 7 litros! Segundo dados da Anvisa, enquanto nos últimos 10 anos o mercado dos agrotóxicos cresceu 93% no mundo, no Brasil, esse crescimento foi de 190%! Isso quer dizer que o nosso país é campeão no uso de agrotóxicos desde 2008. Para a especialista, os agrotóxicos tem efeitos que podem ocorrer de forma imediata, logo após o uso. Em geral esses efeitos são sentidos pelos trabalhadores agrícolas e pelas pessoas que moram próximo das áreas onde se aplicam os venenos. Mas, toda a população brasileira, (que consome alimentos com agrotóxicos, ou consome a água contaminada por agrotóxicos), é quem irá desenvolver os efeitos tardiamente. Os apontamentos do Inca, mostram que o câncer é um desses efeitos.

Para o pesquisador da Embrapa, Etelvino Novotny, existe uma imensa dificuldade para cultivar em áreas onde são aplicados os venenos. O estudioso dos solos explica que agrotóxico compromete a transição de uma cultura para outra, numa mesma área.

A Campanha de Articulação Permanente entre diversos movimentos sociais, sindicais e setores da sociedade civil luta contra o uso dos agrotóxicos há quatro anos, e começou motivada pela mobilização contra os impactos dos agrotóxicos à saúde pública, que atingem diversos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais, como: trabalhadores rurais, moradores do entorno de fazendas, pilotos de aeronaves, além de toda a população brasileira, que de um modo geral acaba consumindo alimentos contaminados.

Um ponto importante dessa mobilização é a pressão contra a pulverização aérea, ou seja, a aplicação de agrotóxicos por avião. O engenheiro Alan Tygel, afirma que o uso dessa forma de dispersão de substâncias químicas é extremamente prejudicial e já deveria estar proibido no Brasil, como já é na Europa, onde a prática é vetada desde 2009.

Segundo Tigel, uma pequeníssima parte desse veneno atinge de fato as plantas e o resto contamina rios, o solo e expõe as populações que moram no entorno das plantações a tomar chuvas de veneno, como ocorreu em Goiás, em uma escolinha de Rio Verde, onde funcionários e alunos de uma escola do assentamento rural Pontal dos Buritis, na cidade de Rio Verde, foram contaminados. No caso, os frequentadores da escola foram envenenados pelo agrotóxico Engeo Pleno, responsável pelo aparecimento, em longo prazo, de câncer, lesões hepáticas, doenças no sistema nervoso, distúrbios hormonais e malformação. Vômitos, dores intensas na cabeça e falta de ar ocorrem de imediato ao contato com o pesticida, sintomas apresentados pelos 92 contaminados – alunos, professores e funcionários da escola.

Há diversas substâncias que já foram proibidas nos EUA, na Europa, e até na China e aqui, em nosso país segue sendo uma espécie de uma “lixeira tóxica”. No Brasil, a pressão pela proibição já fez pequenos avanços, mas ainda anda muito devagar. Entre 2010 e 2011, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conseguiu encaminhar a avaliação de 14 substâncias, das quais quatro já foram banidas. Infelizmente, há outras dez relatorias da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto Nacional do Câncer que foram engavetadas pela pressão dos deputados da bancada ruralista.

No ano passado o Congresso aprovou a importação de agrotóxicos proibidos no Brasil em caráter de emergência, quando se detectou o surto da lagarta Helicoverpa armigera na Bahia. Os fabricantes de agrotóxicos afirmaram que a única solução para essa praga seria uma substância, o benzoato de emamectina, que já foi proibida no Brasil duas vezes por ser neurotóxica, (causa danos neurológicos irreversíveis). O Congresso aprovou a sua importação passando por cima dos órgãos de saúde e meio ambiente que a haviam proibido, lembra o engenheiro. Após a eleição de 2014, o fortalecimento dos ruralistas poderá tornar o cenário ainda mais desolador. Tanto que, em junho de 2016, o presidente Michel Temer sancionou uma lei que permite a aplicação de veneno sobre as cidades brasileiras com o objetivo de controlar a dengue.

A bancada ruralista no Congresso Nacional é a grande inimiga da campanha contra os agrotóxicos e contra pulverização aérea de venenos, e será o alvo de uma mobilização do dia 3 de dezembro. “Há uma pressão muito forte vinda desses setores do Congresso que são financiados pelo agronegócio, que agem em seu próprio interesse, e agem no sentido de aprovar, cada vez mais, leis que permitem um uso maior de agrotóxicos.

Em um caso exemplar, de 2012, um dos gerentes da Anvisa, Luis Claudio Meirelles, foi demitido por pressão do agronegócio, após denunciar irregularidades na liberação de seis agrotóxicos, que foram liberados sem passar pelas avaliações toxicológicas necessárias e com a falsificação de sua assinatura. “Ele foi demitido porque era alguém que estava lá para cuidar dos interesses da população em termos de saúde”, afirma Alan Tygel.

A LUZ NO FIM DO TÚNEL

Apesar do cenário difícil, há uma alternativa ao uso do agronegócio imposto pela agroindústria. A engenheira agrônoma Francileia Paula de Castro, do programa da FASE, em Mato Grosso, afirma que o Brasil já tem uma ampla experiência no modelo de produção agroecológico. “Nós temos no Brasil várias experiências de produção de alimentos de base orgânica que adota os princípios da agroecologia, utilizados, por exemplo, em alguns acampamentos da reforma agrária”, afirma ela. A agroecologia propõe um modelo de produção sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos, focada no equilíbrio entre a produção alimentícia e a natureza.

Veja mais reportagens no site do SINESP. Grato pela visita! Grande abraço!


       
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