BANQUETAÇO E A LUTA EM FAVOR DOS ALIMENTOS SEM VENENO

No começo deste ano, o presidente da República, Jair Bolsonaro, revogou a Lei n°11.346/2006 – Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN), extinguindo assim, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), no âmbito nacional, através da Medida Provisória (MP) n°870. O impacto causado pela revogação, atinge diretamente a demanda dos produtos alimentícios e a qualidade da comida, além de facilitar a aprovação de diversos agrotóxicos, que em países da Europa, América do Norte e China, são proibidos.

Como forma de pedir a revogação do CONSEA, além de mostrar ao público a importância de comer alimentos livres de veneno, o Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo, contando com o apoio e a ajuda das alunas da Universidade Guarulhos (UNG) e do Centro Universitário São Camilo, esteve presente nesta quarta-feira, dia 27 de fevereiro, no BANQUETAÇO, que consiste em manifestações que ocorrem em diversas partes do país - aqui em São Paulo ocorreu na Praça da República - promovendo um grande almoço (banquete), preparados por chefs renomados, utilizando alimentos agroecológicos, como forma de mostrar para a população como é possível alimentar-se, sem precisar recorrer a agricultura convencional com pesticidas, indo contra ao Projeto de Lei 6.299/2002, popularmente conhecido como “PL do Veneno”.

Para a atual presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar (COMUSAN), Vera Villela, a manifestação a favor da retomada do CONSEA, serve de forma a “mostrar para as pessoas, que temos no país, políticas para garantir o direito à alimentação. E se o CONSEA não for retomado, essas políticas podem ficar ameaçadas.”

Apesar da extinção do CONSEA e o PL do Veneno serem assuntos recentes, o projeto do BANQUETAÇO já possui forma a alguns anos, mas precisamente em 2017, na qual nasceu como forma de contrapor ao polêmico projeto proposto pelo antigo prefeito e atual governador de São Paulo, João Dória, a Farinata - que consistia em uma espécie de “ração” à base de restos de comida - que seriam distribuídos nas escolas municipais de São Paulo e para pessoas de baixa renda.

Segundo Mariana Marcon, uma das idealizadoras do evento, “comer é um ato político, e seria importante que as pessoas entendessem a dimensão da importância que o ato de se alimentar (...) O brasileiro é conhecido pela fartura na mesa, e a gente não quer acabar com isso, através da monocultura e do uso excessivo de agrotóxicos.”

Outro assunto muito presente também durante o BANQUETAÇO, foi a questão do agronegócio no Brasil, e como ele vem impactando de forma negativa o meio ambiente e a vida do agricultor. Para o Conselheiro Estadual de Segurança Alimentar, Claudio de Carvalho, as pessoas deviam começar a se preocuparem com o que consomem, alertando-se para a origem e processo dos alimentos.

“Cerca de 70% das doenças, que enchem os leitos hospitalares, que afogam o Sistema de Saúde, vêm da má alimentação, ou da alimentação inadequada dos brasileiros. E quando falamos de Segurança Alimentar, estamos falando do direito à alimentação adequada. E quando falamos nisso, não estamos colocando apenas uma parte da sociedade, estamos colocando por um todo (...) saúde, segurança alimentar, economicamente estão ligadas em um só.”

Em relação a agricultura familiar, a produção de orgânicos ainda não é uma ideia desenvolvida e nem estimulado, diante do forte cenário dos grandes produtores de terras, que acabam por sufocar pequenos agricultores com suas grandes produções de commodities para exportação. Para Susana Prizendt, coordenadora da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida no Estado de São Paulo e co-criadora da iniciativa MUDA-SP, Movimento Urbano de Agroecologia de São Paulo, “Os agricultores familiares produzem comida. Só que é muito difícil eles se manterem no campo, porque eles estão sendo muito assediados pelos proprietários, às vezes por conflito de terras, com ameaça, ou até mesmo por inviabilidade econômica (...) Muitas vezes eles têm a produção inviabilizada, ou a juventude não quer continuar, ela quer ir para a cidade, justamente porque não é valorizado o trabalho do agricultor (...) Então o campo acaba tendo uma concentração maior de propriedade de terras, nas mãos de latifundiários que produzem as commodities.”

Outra questão que afeta a agricultura familiar, são as diversas burocracias que as famílias tende a enfrentar, diante de um Estado que possui enorme influência das grandes empresas de agrotóxicos. Segundo a nutricionista Ana Paula Bortoletto, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), falta assistência técnica rural, e apoio dos bancos, de modo a tornar difícil os agricultores familiares conseguirem algum empréstimo para a produção de seus alimentos, apesar das leis de incentivo que existem, como por exemplo a Lei de Orgânicos, vigente em São Paulo, que organiza as demandas, de modo a garantir ao agricultor, tenha para aonde escoar seu produto.

Segundo ela, “enquanto o agronegócio tem isenção de imposto de agrotóxico, empréstimo no banco super fácil, o agricultor hoje está sem assistência técnica, não tem isenção de nada, e tem que lutar para ter a certificação de orgânicos, e ainda tem dificuldades de conseguir empréstimos no banco, porque muitas vezes, ele tem que mostrar nota fiscal do uso de agrotóxicos, como garantia da produção.”

Diante desse cenário alarmante, o Sindicato apoia veementemente o projeto do BANQUETAÇO, e entende que uma produção com o uso massivo de agrotóxicos não auxilia na produção de alimentos. Muito pelo contrário, tende a prejudicar a terra, que deixa de produzir, acabando por se tornar infértil.


       
NUTRI NOTICIAS Nº 86
Edições Anteriores
NUTRI NOTICIAS Nº 85
NUTRI NOTICIAS Nº 84
NUTRI NOTICIAS Nº 83
NUTRI NOTICIAS Nº 82
ecoleo CVC
  INSTITUCIONAL JURIDICO CONTRIBUIÇÕES CURSOS BENEFÍCIOS +  
  Quem Somos Atendimento Associativas SindiNutri-SP Convênios LINKS  
  Palavras do Presidente Piso Salarial Sindical Parceiros Hotéis / pousadas CONTATO  
  Diretoria Atual Tabela de Honorários Confederativa Pós-Graduação      
  Colaboradores Convenções/Disssídios Assistencial        
  Estatuto Homologações Dúvidas Frequentes        
  Conheça o SindiNutri-SP            
  Sede São Paulo

Rua 24 de Maio, 104 - 8 andar - Centro - 01041-000
Fones: (11) 3337.5263 / 3338.2539
E-mail: sinesp@sindinutrisp.org.br
Horário de atendimento: 9hs às 17hs00 de 2ª à 6ª
 
2014 - Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo
Desenvolvido por IZ3